terça-feira, 27 de março de 2012

Era ele...

Ela gritou, alto, tão alto que tudo a sua volta estremeceu, ele que se encontrava na cozinha largou tudo o que fazia e correu em seu auxílio, não hesitou, correu como se a distancia fosse quase ao nível de uma maratona, quando chegou lá estava ela, continuava a gritar, chorava, contorcia-se com dores, era uma visão demolidora que o agastava, tinha de a ajudar o mais rápido possível, nem pensou, pegou nela ao colo e dirigiu-se para a porta, tinha de a socorrer, de a levar para o hospital, ela precisava de ajuda e ele não tinha habilitações para o fazer.

Nem deu pelo tempo passar, nem sequer o caminho que fez conseguiu ver, conduzia a alta velocidade enquanto olhava para ela no banco ao seu lado a gritar, a chorar, não parava por um segundo que fosse, deu-lhe a mão para ela sentir mais conforto, ela apertou, apertou muito, não falava, só chorava e continuava a gritar, foi assim toda a viagem até a porta do hospital, e já a entrada nada mudou.

Em seu auxílio vieram duas enfermeiras, ele sem noção do que dizia, tratou-as com desagrado, gritou com elas, insistiu para que se despachassem, como se não fosse isso o que estava a acontecer, não a largou por um momento, a sua mulher era o seu bem mais precioso e não aguentava vê-la assim, não podia fazer nada, estava impotente, ela em nada se alterava, chorava, gritava, apertava-lhe a mão cada vez com mais força, lagrimas escorriam pela cara, já havia sangue também em seu redor, algo se complicava…

Não o deixaram entrar, não podia, não estava em condições para tal, lá dentro ela chamava por ele, a sua ausência perto dela era pior que tudo aquilo porque estava a passar, precisava dele ao seu lado, pediu, entre lagrimas, para o irem buscar, muito a custo consentiram e ele foi, ficou perto dela naquele momento, momento esse que podia mudar tudo, em que toda a vida deles em conjunto lhes vinha a cabeça, todas as alegrias, todas as tristezas, as dificuldades, tudo, mesmo tudo, tudo.

As dores eram cada vez mais fortes, a equipa medica a sua voltava tentava ser célere e evitar o pior, havia complicações, o sangue continuava a jorrar como se de uma fonte se tratasse, era critico, e ele lá, sempre lá, ao lado dela, nunca a abandonou, aguentou, por ele mas sobretudo por ela, ela sentia isso, sentiu-se mais forte e com isso parou de chorar, foi enorme aos olhos dele, ganharam forças que já não tinham na esperança que tudo corre-se bem.

Silêncio, um silêncio rompeu a sala, foi por segundos mas pareceu a todos uma eternidade, eles olharam-se entre si, nos seus lábios rasgou-se um sorriso, estava ali, a muito custo, com muito sofrimento, entre choros e dores, o seu bem mais precioso, aquilo com que sonhava e que a tanto esperavam, estava ali, como se um desenho tivesse sido feito e entregue especialmente para eles, como se de uma das mais belas obras de arte se tratasse, era deles, só deles, era lindo, perfeito era o seu bebê!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aquele Dia!


Acordou, era mais um dia na vida dele, nada mais que isso, todos os dias acordava, todos os dias saia da cama, fazia a sua higiene pessoal, vestia-se, saia de casa, entrava no carro, parava no café para comer a sua sandes e beber o seu café, voltava ao carro, seguia até ao trabalho, estacionava ao chegar, quase sempre no mesmo lugar, cumprimentava o porteiro do edifício, apanhava o elevador com mais meia dúzia de colegas, picava o cartão de entrada, e sentava-se a trabalhar, era todas as manhas assim até chegar a hora de almoçar…

As tardes pouco variava na sua génese, também elas eram iguais, voltando do almoço, voltava a sentar-se e a trabalhar, sempre no seu computador, sempre com os telefonemas do costume, sempre igual, dia após dia, e já por alguns anos, chegava a hora de sair, ele saia, entrava no carro, a caminho de casa parava para beber um café, continuava até casa, estacionava na garagem, não falava com mais ninguém, entrava em casa e ia de imediato tomar banho, vestia o pijama e fazia o jantar, jantava num piscar de olhos e sentava-se a ver televisão na cama, normalmente até as tantas, até ter sono, quando este aparecia desligava, aninhava-se e dormia, dormia sempre bem, sem parar até o despertador voltar a tocar, e acordava para mais um dia, igual a todos os outros, aos que já a anos eram iguais!

Mas chegou o dia que ia ser diferente, que acordou com um sentimento de que algo estava errado, que algo tinha de mudar, que nada fazia sentido e que já não vivia, era só mais um num mundo podre e com uma vida solitária e miserável, não podia continuar assim, tinha de fazer algo, tinha de ser diferente do que era até então, foi como se algo ou alguém lhe tivesse batido durante a noite e o tivesse feito ver que estava a perder tempo, que estava a morrer aos poucos, que quando chegasse esse dia ia perceber que não era nada nem ninguém.

Levantou-se e desde logo quis mudar, não se lavou, vestiu a mesma roupa do dia anterior, saiu de casa, mas foi a pé, não comeu, não foi trabalhar, falou a todas as pessoas que por ele passaram na rua, sem pudor, disse tudo o que quis dizer, disse tudo o que sentia, riu-se, riu-se muito, com os que passavam, sozinho, para dentro e para fora, sentiu-se bem, almoçou, com tempo, afinal de contas tudo ia ser diferente naquele dia e tinha todo o tempo do mundo, não se preocupou, não quis saber, viveu aquela manhã e aquela tarde como se fossem as ultimas da sua vida, pensou em tudo e não pensou em nada, não quis morrer sem saber o que era a vida se fosse vivida de forma diferente, gostou, gostou muito e aproveitou ao máximo. 

Era tarde, não quis ir para casa, não quis tomar banho, não quis fazer o jantar, não quis ver televisão na cama, quis ficar por ali, na rua, a ver as pessoas, a ver as luzes, os sons, o ambiente noturno que o rodeava e que lhe era estranho, bebeu, aproveitou aquela noite, mais uma vez como se da ultima se tratasse, nada o demovia de tornar aquele dia um dia diferente, tinha de ser diferente, foi com essa intuição que ele acordou, voltou para casa, já tarde, muito tarde e a caminho algo de súbito aconteceu, parou, viu, ouviu, sentiu, tudo o que tinha presenciado nesse mesmo dia e apercebeu-se que perdeu anos da sua vida, mas que aquele dia tinha valido por todos esses dias e anos perdidos, o coração bateu lentamente, cada vez mais lento, mais e mais até parar, parou e ele caiu, caiu com um sorriso nos lábios, e quem o viu e conheceu naquele dia ficou com a ideia que ele viveu, viveu feliz…

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Será sempre recordado!

Faz hoje anos que faleceu uma das maiores vozes de sempre da musica, Freddie Mercury, o famoso e extravagante vocalista da banda Queen.

Famoso pela sua voz e pela forma como brindava o publico nos seus espetáculos, ele próprio um espetáculo dentro de outro, deixou mais pobre o panorama musical após a sua morte. Nem a própria banda resistiu ao seu desaparecimento e nunca mais conseguiu os êxitos de outros tempos.

Contudo Freddie Mercury deixou um enorme repertório que ainda hoje faz parte da preferência musical de muitas pessoas espalhadas por esse Mundo fora, continuando assim a ser uma lenda.

Dificilmente será esquecido, terá sempre uma legião de fãs!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Outra vez as greves!

Amanhã como é do conhecimento publico, vai realizar-se mais uma greve geral no nosso País. As principais frentes sindicais convocaram e uniram-se para que fosse assim maior e tivesse mais força esta forma de protesto, vista por eles como a luta do povo contra o poder politico e as politicas por eles impostas.

De facto esta é uma forma de luta, é uma forma de luta pelo menos ruidosa e de muita aderência, é uma forma de luta que é legal e prevista na lei Portuguesa, no entanto, como já referi em post's anteriores, é uma forma de luta inútil, inconsequente e que em nada beneficia os Portugueses.

Já aqui manifestei a minha opinião sobre os sindicatos e sobre a maneira como são realizadas estas greves e estes manifestos, não mudam absolutamente nada! Só sai prejudicado quem no seu pleno direito não quer aderir a este tipo de luta, por não se rever neste comportamento ou por achar, como já disse, inconsequente.

Quem não tem transporte próprio para ir trabalhar e não é a favor da greve, vê-se assim privado do único meio de chegar ao trabalho a tempo e horas, sendo assim prejudicado. Isto é defender os trabalhadores? É zelar pelo interesse de todos? Acho que não!

Há diversas formas de luta e muito mais credíveis que estas que são na maioria dos casos, planeadas e programadas por pessoas que não sabem o que é trabalhar a anos e que defendem somente os seus "amigos", não sabem nem conhecem realmente por que males passam os trabalhadores, sabem somente o que ouvem na TV...

Talvez um dia se lute realmente por direitos iguais para todos, e para defender realmente o nosso País, agora da forma como é feito e por quem é feito, desculpem lá mas não vai mudar nada!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

É vital vencer hoje!

Hoje joga-se a segunda mão do play-off de acesso ao Europeu de Futebol que se vai realizar no próximo ano. Depois de um empate sem golos na primeira mão, Portugal volta a encontrar-se com a Bósnia quatro dias depois, desta vez em território nacional.

Sempre fui apoiante da Selecção, mas confesso que nos últimos tempos muita coisa me têm afastado da equipa das quinas e já não vibro como vibrava com as suas vitórias. No entanto hoje acredito que Portugal se vai qualificar.

Considero que temos melhor equipa que os Bósnios, jogamos em casa e penso que os nossos "melhores" jogadores não irão facilitar. Podíamos ter feito um melhor resultado fora, mas seja como for temos todas as condições para o corrigir esta noite.

É importante estar no próximo Europeu, a meu ver, mais que em qualquer um dos outros anteriores. Precisamos que a Selecção dê seguimento ao trabalho que os clubes tem desempenhado em termos Futebolisticos, na ultima época o Porto conquistou a Liga Europa, o Braga foi finalista, o Benfica semi-finalista e o Sporting caiu mas sem ter perdido nos oitavos de final. Este ano, os mesmos quatro continuam com boas perspectivas de alcançar a segunda fase das competições Europeias, como tal seria prejudicial que a nossa Selecção não se qualifica-se para o Europeu.

Além de tudo isto, sabemos quanto é importante para os Portugueses algo que os motive e alegre, ainda mais quando se sabe que no próximo ano o Pais vai passar por enormes dificuldades, precisamos de algo que traga orgulho aos Portugueses e a participação da Selecção no Euro, a julgar pelas anteriores, tem pelo menos o condão de os unir e trazer de volta um pouco mais de patriotismo.

Por isto tudo e por tudo isto;

Força Portugal!