Mais uma vez vou voltar a escrever umas linhas sobre um tema que para mim é muito importante, não só pelo facto de ter sido o que envolveu a minha vida durante 6 anos mas também porque me marcou para sempre. Já o fiz (podem ler aqui) por razões que se prendiam mais em concreto com as oportunidades de futuro que este trás mas ai as criticas e referencias eram mais direccionadas a própria instituição em que a Policia Aérea está inserida, a Força Aérea Portuguesa.
Hoje o que me leva a escrever é mais concretamente o que se vive dentro da própria especialidade. Apesar de já estar fora á pouco mais de um ano tenho duvidas que as coisas tenham mudado para melhor. O espírito que encontrei quando fui colocado em 2004 na Base Aérea numero 5 em Monte Real e que ao que sei era vivido por todas as unidades da instituição, acabou. Foi-se matando a especialidade aos poucos e perdendo-se todos os valores que existiam, que por certo já não seriam os mesmos dos tempos anteriores a minha entrada.
Quando iniciei a minha vida como um BOINA AZUL, eu e os que como eu, camaradas e irmãos de curso que ainda hoje trato por manos, pela amizade que tenho por cada um deles, tínhamos a preocupação de nos inserirmos o mais rápido possível nos costumes e tradições da especialidade. É verdade que a praxe já havia sido abolida na Força Aérea mas no entanto encarava-mos as brincadeiras feitas pelos cabos velhinhos como um método de aprendizagem e de entrosamento que nós levaria mais rapidamente a obter o respeito e a camaradagem dos mesmos.
Hoje, ou melhor, dois anos depois de eu ter entrado, já como primeiro cabo assisti a situações que nunca pensei que pudessem vir a acontecer. Desde meninos mimados respondões a ameaçar HOMENS que os iriam acusar de praxe, ou a responder-lhes dizendo que o que eles diziam não era como deviam ser feitas as coisas, ou até mesmo pondo em causa os conhecimentos que os mesmos tinham em relação ao serviço, serviço esse que estes HOMENS sabiam fazer de olhos fechados e o faziam a muitos a anos. Faltas de respeito constantes para com os Praças mais velhos mas em alguns casos também para com Sargentos e Oficiais, etc... Muitas foram as coisas que mudaram nesses dois anos e o mais grave é que tanto Sargentos como Oficiais permitiam que este tipo de situações acontecessem e pior ainda previligiavam-nos em detrimento dos cabos mais antigos.
Digo isto com a certeza que é uma realidade, apartir do momento que de um ano para o outro se deixa de mandar os cabos mais velhos a carta de condução que era quase como uma benesse dada pelas chefias pelos anos de tropa aos cabos mais antigos, e se passou a mandar a carta os "maçarico" só porque tem mais tempo a dar a tropa, está tudo dito. Então vai-se dar cartas, sobre a bandeira da motivação, a Praças que obrigatoriamente ainda tem anos de contracto e não está em risco a instituição de perder efectivo em vez de se continuar a dar aos que já lá andam á anos e que esses sim precisam ser motivados para que continuem a renovar contractos pelo menos até já não o poderem fazer mais?
Todos este tipo de situações matam a especialidade e a união da mesma, desde Praças a Sargentos e Oficiais, aos poucos e poucos a PA vai-se auto-destruindo. Não tenho duvidas que as praxes foram mal abolidas, que as regalias aos mais velhos foram mal retiradas, que a protecção dos mais novos foi mal atribuída e que acima de tudo a aceleração de transferências permitindo que estes ficassem mais rapidamente perto de casa também contribuiu para que esta desunião fosse mais evidente. Claro que sei que todos preferimos ficar o mais perto de casa possível, no entanto o que é certo é que nos dias de hoje nas camaratas da Policia já não se vê aqueles convívios que existiam, não se vê a animação que se via e não se vê a protecção que se via de uns em relação aos outros.
Quem não se lembra das discussões e "guerras" com as outras especialidades? Hoje isso já não existe. Por um lado ainda bem, andamos todos a remar para o mesmo lado e precisamos todos uns dos outros, mas certo é que perdeu-se uma das coisas que dava animação á nossa tropa e que aumentava ainda mais o ORGULHO de usar a BOINA AZUL nos acabados de chegar.
Não tenho duvidas que houve coisas que podem até ser melhores que antigamente mas em termos de especialidade em si e do que significava pelo menos para mim a mágica BOINA AZUL tudo o que mudou foi para piorar...
Com estas linhas penso que fecho o meu capitulo FAP com muita pena minha, contudo sempre com enorme respeito pelos que como eu representaram a POLICIA AÉREA e dignificaram a BOINA AZUL!
Éramos como um só, antes de sermos militares éramos PA'S!
Com estas linhas penso que fecho o meu capitulo FAP com muita pena minha, contudo sempre com enorme respeito pelos que como eu representaram a POLICIA AÉREA e dignificaram a BOINA AZUL!
Éramos como um só, antes de sermos militares éramos PA'S!

